Pernambuco anuncia os seis novos Patrimônios Vivos

Mestre Assis Calixto é um dos novos Patrimônios Vivos de Pernambuco / Costa Neto/Divulgação
Mestre Assis Calixto é um dos novos Patrimônios Vivos de Pernambuco
Costa Neto/DivulgaçãoJC Online

O Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural elegeu os seis novos Patrimônios Vivos de Pernambuco, em reunião ordinária nesta quarta-feira (10). São eles: Mestre Saúba (Brinquedos populares e mamulengos, de Jaboatão dos Guararapes); Maracatu de Baque Solto Cambinda Brasileira (Nazaré da Mata); Mestre Aprígio (artesão do couro, de Ouricuri); Mestre Nado (artesão de instrumentos musicais feitos de barro, de Olinda); Assis Calixto (mestre de coco, de Arcoverde); e Tribo Indígena Carijós do Recife (Caboclinho, do Recife).

Os saberes de cada mestre, a contribuição para a formação cultural dentro do seu território, o tempo de existência, histórico e questões como a regionalização foram citadas pelos conselheiros, nos seis votos que deram, cada um, aos candidatos inscritos no Concurso deste ano.

Este foi o  14º Concurso do Registro do Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco, uma realização do Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria Estadual de Cultura (Secult-PE) e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). O objetivo da política pública de preservação é reconhecer, estimular e proteger iniciativas que contribuem para o desenvolvimento sociocultural e profissional dos mestres e das mestras e grupos de notório saber. 

Os vencedores passam a receber bolsa vitalícia de R$ 1.600 (um mil e seiscentos reais), no caso de pessoa física, e R$ 3.200 (três mil e duzentos reais) no caso de grupos, pessoas jurídicas. 

Confira breve perfil dos novos Patrimônios Vivos de Pernambuco

José Antônio da Silva – Mestre Saúba (Jaboatão dos Guararapes)

Brinquedos Populares e Teatro de Bonecos

Mestre Sáuba tem uma longa vivência no fazer e criar brinquedos populares. Iniciou suas atividades aos 20 anos de idade, quando conheceu a cigana e artesã Maria do Socorro. A produção de brinquedos artesanais é uma prática na família do mestre: participam também seu irmão mais novo, filho e neta de sete anos. Todos participam do ofício do fazer borboletas, ratinhos, carrinhos, rói-rói e manés gostoso confeccionados com movimento e feitos em madeira de imbaúba.

Sociedade Maracatu de Baque Solto Cambinda Brasileira (Nazaré da Mata)

Maracatu de Baque Solto

A história do Cambinda Brasileira começou no Engenho Cumbe. A dona da propriedade, conhecida como Dona Rosinha, permitia que os trabalhadores “brincassem maracatu” no domingo de folga. Gostava de ver e pedia que eles se apresentassem na Casa Grande. Em 1918, Nazaré passou por um ano de crise. Sem ter o que comer, a alternativa era pescar. As tarrafas vinham cheias de cambinda e o peixe acabou dando nome ao maracatu. Primeiro se chamou Cambinda Nova e depois Cambinda Amorosa até Dona Rosinha sugerir homenagear o País, mudando para Cambinda Brasileira.“O primeiro dono do maracatu foi o trabalhador do engenho Severino Lotero. Depois ele não quis mais e passou para João Fulosino e em seguida para João Lauro até meu pai, João Padre, e minha mãe, Dona Joaninha, tomarem conta (em 1945). Quando morreu, ele deixou o maracatu pra mim e meus irmãos João e Antônio e disse que Zé de Carro seria o presidente e mestre caboclo e Dona Biu, a madrinha”, conta José Estevão da Silva (Zé Padre), lembrando do pedido do pai debaixo do pé de jaca. “Falar da história de Cambinda é falar da história do baque solto. É um maracatu de tradição, de peso, respeitado”, diz.

José Aprigio Lopes – Mestre Aprigio (Ouricuri – Sertão do Araripe)

Artesanato em Couro

Nascido em Exu, terra de Luiz Gonzaga, no dia 25 de maio de 1941, José Aprígio Lopes, continua em plena atividade de artesão, no município de Ouricuri. Ele confecciona peças em couro e, sem nenhuma pretensão ou arrogância, conta que conhece bem o repertório de Luiz Gonzaga. Ele confeccionou a partir de 1955 os chapéus de couro usados por Luiz Gonzaga. “Meus chapéus serviram de coroa para os dois grandes reis que conheci, Luiz Gonzaga e Dominguinhos”, diz o Mestre Aprígio. 

Aguinaldo da Silva – Mestre Nado (Olinda)

Produção de Instrumentos Musicais de Barro

Mestre Nado foi criado em meio ao universo do barro e deste se fez homem. A brincadeira com argila é desde a infância. Aos 10 anos passou a trabalhar como ajudante em uma olaria de quartinhas onde ficou até aos 17 anos. Esse é o local que lhe rende toda qualificação e experiência mas é em Tracunhahém que o mestre revela toda a força de sua cerâmica figurativa. Já morando em Caixa Dágua, periferia de Olinda, Mestre Nado passa a manter o Centro Cultural Som do Barro, local dedicado à construção de instrumentos musicais a partir do barro.

Francisco de Assis Calixto Montenegro – Assis Calixto (Arcoverde – Sertão do Moxotó)

Artesanato e Coco de Roda

Mestre Assis Calixto é natural de Sertânia, e reside em Arcoverde há 67 anos. O mestre é reconhecido no estado por suas composições e aglutina em seu currículo turnês nacionais e internacionais difundindo o samba de coco, dentro do grupo Coco Raízes de Arcoverde. As composições do mestre Assis Calixto retratam a vida do sertanejo, elementos da natureza e dos animais. O mestre também confecciona as tamancas de madeira utilizadas para dançar o coco, bastante difundidas pelos integrantes do coco Raízes, em suas apresentações.

Tribo Indígena Carijós – Tribo Carijós do Recife


Local: Recife – Região Metropolitana do Recife


Caboclinhos


A Tribo Indígena Carijós do Recife ou Caboclinho Carijós do Recife é a tribo mais antiga de

Pernambuco, com 122 anos de história dedicada a expressão cultural bem imaterial do Brasil. Ao longo do ano, a Tribo promove oficinas de fantasias, adereços, instrumentos musicais, ritmo e dança, além de rodas de diálogos sobre a cultura indígena e história do caboclinho como processo de transmissão dos saberes e fazeres ligados a esta manifestação cultural.

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