Sertão de PE iniciará produção pioneira de alimentos através do sistema agrovoltaico

Nos próximos dois meses, o semiárido pernambucano pode ser pioneiro nacional na produção integrada de alimentos vegetais, peixe e captação pluvial através da implantação de um sistema agrovoltaico sustentável a partir da transformação da radiação solar em energia distribuída. Os trabalhos técnicos para a instalação do sistema fotovoltaico estão sendo realizados por uma startup local dentro da escola Serta em Ibimirim. A iniciativa visa demonstrar provas materiais do conceito científico de uma rede de pesquisadores nacionais (Ecolume), financiada pelo CNPq e liderada pela climatologista e Doutora em Recursos Hídricos, Francis Lacerda, coordenadora técnica do Laboratório de Mudanças Climáticas do Instituto Agronômico de PE (IPA). O conceito Ecolume defende que é possível “plantar água”, “comer Caatinga” e “irrigá-la com o sol” do local.

A energia gerada através do sol será utilizada nos vários experimentos agroecológicos do Ecolume/Serta, realizado pelo sistema agrovoltaíco – cujo integra a utilização de todos os potenciais dos seus componentes. Os painéis fotovoltaicos instalados também servirão de recipientes para a captação da chuva, além de gerar a energia solar e bombear a água já armazenada para o cultivo de peixes e de plantas, inclusive as nativas da Caatinga, com alto valor nutricional. Tal produção se dará através do sistema de aquaponia, pois garante o uso, reuso e reciclagem da água, possibilitando até adubação orgânica proveniente das fezes dos peixes.

Em seis meses, o sistema agrovoltaico Ecolume/Serta terá a capacidade de produzir 60 quilos de carne retirados das 100 tilápias por tanques de mil litros de água. E este recurso hídrico será usado de forma integrado e simultâneo para o cultivo, em tubos, de 72 plantas de 12 espécies de colheita contínua e diferentes, em especial do tipo medicinais, temperos e hortaliças. Dentre elas, hortelã – 40 dias (contínua), rúcula – 40 dias, alface – 40 dias, taioba – 40 dias, bertalha – 40 dias, couve-folha – 40 dias, chapéu de couro – 40 dias, manjericão – 40 dias, coentro – 40 dias, espinafre – 40 dias, cebolinha – 40 dias, menta – colheita em 40 dias (contínua), tomates e cereja variados – 60 dias e alecrim – 60 dias.

O gerenciamento da água capitada e bombeada também será utilizado para irrigação sustentável dos viveiros de plantas originais da Caatinga para a alimentação humana, a exemplo do umbu e outras, que podem entrar em extinção se não houver o devido recaatingamento. O replantio dessas espécies do semiárido, já adaptadas geneticamente às altas temperaturas, servirá como alimento humano, mas também ajudará na manutenção da umidade do solo e regulação do clima local.

Atualmente, a unidade do Serta em Ibimirim tem 150 estudantes na área de Agroecologia, oriundos de cerca de 100 municípios de cinco estados do Nordeste. Uma palestra teórica sobre energia solar e fotovoltaica será ministrada pela startup para todos alunos. Quinze deles receberão treinamento teórico e prática sobre elementos e instalação do sistema.

Além da atuação do IPA e do Serta, e da parceria da startup de energia VertSol, a rede Ecolume é formada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Instituto Federal do Sertão e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Sustentabilidade.

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