O que fica para a história

Márcio Didier

Editor do Blog da Folha

É opinião quase unânime que o Governo da presidente Dilma Rousseff acabou nesta quarta-feira (16), ao nomear o seu mentor e tutor político Luiz Inácio Lula da Silva para ministro da Casa Civil. No entanto, a premissa soa equivocada. Para acabar, o Governo precisava ter começado, e o segundo mandato da petista nem continuidade do primeiro foi ou estava sendo.

Já na campanha, a presidente Dilma Rousseff dava demonstrações de que estava perdendo o rumo e prumo. Anunciou a demissão branca do então ministro da Fazenda Guido Mantega. Fez um mundo de promessas, embaladas com um competente marketing eleitoral comandado pelo marqueteiro João Santana, hoje preso no bojo da Operação Lava Jato.

Disse que o preço da energia elétrica não iria aumentar, e aumentou. Prometeu segurar o valor do combustível, e não cumpriu. Jurou que não iria recria a CPMF e tentou de toda a forma colocá-la na pauta das discussões econômicas. Todas essas medidas prometidas, ela sabia que não teria como cumprir. Mas preferiu apostar em algum milagre a encerrar em outubro de 2014 o projeto de poder que durava 12 anos.

Pagou para ver, apostou alto e perdeu. Perdeu tudo. Como derradeira cartada, faz uma renúncia branca. Coloca Lula para comandar o País. Por estar sem força ou sem opção, preferiu dar guarida sob forma de foro privilegiado ao ex-presidente, na expectativa de ganhar como prêmio de consolação um eventual sepultamento de um processo de impeachment que parece estar ladeira abaixo e sem freio.

A partir de hoje, mesmo que a economia entre nos eixos, mesmo que ela seja a responsável por dar as diretrizes para essa recuperação, os louros irão para o agora ministro Lula.

A presidente Dilma Rousseff entrará para a história política do Brasil como a primeira mulher a presidir o País; a guerrilheira que sofreu nos porões da ditadura e deu a volta por cima; a chefe de Estado que comandou o País nos dois eventos esportivos mais importante do universo: a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas do Rio.

Mas, mesmo que diga o contrário, o verbete mais lembrado será o da presidente que não teve força para governar, que foi tutelada pelo seu criador. Saberá como ninguém o que é a solidão do poder. Viverá sozinha, mesmo que o palácio esteja cheio.

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