A saída do Decisão FC e o estado de degradação do estádio municipal refletem um cenário de descaso administrativo e retrocesso para o município.
Um sentimento de luto e revolta toma conta da população de Sertânia. O anúncio da mudança do Decisão Futebol Clube para outra cidade não é apenas uma notícia esportiva; é o símbolo mais visível de um projeto de cidade que afunda em meio a sucessivos retrocessos e na aparente incompetência da gestão municipal.
A perda do time profissional, que carregava o nome da cidade e era uma das principais janelas para atletas do futebol é um golpe duro. A alegação do Decisão sobre a falta de condições oferecidas pelo município para sua permanência, encontra eco na realidade nua e crua do estádio. A vaga na Série para 2026, conquistada com suor dentro de campo, será defendida por outra cidade, um duro revés para o esporte sertaniense.
O que se vê no estádio municipal é a materialização do abandono. Um patrimônio público que, na gestão anterior, recebeu investimentos em gramado, vestiários, alambrados e iluminação de LED, hoje se encontra em frangalhos. São cinco meses sem a grama ser cortada, lâmpadas queimadas que não são repostas, vestiários depredados e bancos de reservas quebrados. O cenário é de total desmantelo, uma afronta aos contribuintes que custearam sua modernização.
A escuridão não se limita ao estádio. Ela é também literal na principal avenida da cidade, justamente no trecho que abriga o novo Centro Acadêmico do Sertão da UFPE, que inicia suas atividades esta semana. A imagem que se projeta para estudantes e professores que chegam à cidade é a do descaso. Um contraste gritante entre o potencial intelectual da universidade e a realidade de abandono do poder público local.
A população, frustrada, questiona para onde foram os recursos. O anúncio milionário da troca de lâmpadas por LED, amplamente divulgado, parece não ter se concretizado em benefício tangível, gerando desconfiança sobre a aplicação do dinheiro público.
Como bem resumia a falecida Maria Tamborete em sua sabedoria popular, “o Boca Preta é inseto!”. A frase ecoa agora como uma crítica àqueles que prometem grandiosidade e não conseguem nem manter o básico. As promessas de projeção nacional feitas ao presidente do Decisão soam, hoje, como fanfarronice de quem não conseguiu sequer garantir a manutenção do time em sua terra natal.
O que está em jogo vai além de um time de futebol ou da grama de um estádio. Está em jogo a imagem de Sertânia, o acolhimento aos novos estudantes universitários e, principalmente, a capacidade da administração pública de cuidar do que é de todos. O temor generalizado é que, do jeito que as coisas vão, Sertânia mergulhe de vez em um “novo tempo” de escuridão e esquecimento, um verdadeiro “prefeita desmantelo” que destrói a esperança e enterra o progresso.
Antônio Carlos Moreno, Jornalista
