A Polícia Federal (PF) concluiu uma investigação que aponta indícios de corrupção eleitoral e caixa dois na campanha de reeleição do prefeito de Afogados da Ingazeira, Sandrinho Palmeira. O inquérito (IPL nº 2024.0114112-DPF/CRU/PE) resultou no indiciamento indireto do secretário municipal de Finanças, Jandyson Henrique Xavier Oliveira, que atuou como coordenador da campanha.
A apuração começou a partir de uma denúncia anônima e de um boletim de ocorrência (nº 24E0257002602), registrado em 4 de outubro de 2024.
Na antevéspera das eleições, Jandyson foi abordado pela Polícia Militar e flagrado com R$ 35 mil em espécie, além de notas fiscais de abastecimento que totalizavam R$ 240.214,06 e 135 tickets de combustível com valores de R$ 10 a R$ 40.
Segundo a PF, houve grande diferença entre os valores gastos e os declarados à Justiça Eleitoral. Entre 21 de agosto e 2 de outubro de 2024, as notas e cupons apreendidos somaram R$ 469.306,34 (frota e campanha). Os gastos oficiais com frota foram de R$ 328.529,07, o que levou os investigadores a estimar que os gastos reais da campanha atingiram R$ 140.777,27. Contudo, o valor declarado ao TSE foi de apenas R$ 68.448,15 — diferença de R$ 72.329,12, considerada caixa dois eleitoral.
O relatório da PF também aponta que os 135 tickets de combustível apreendidos são característicos da compra de votos, mediante distribuição gratuita de abastecimentos a eleitores. Diversas notas vinculadas à Prefeitura e à campanha majoritária (sigla “MJSL” – Majoritária Sandrinho Leite) traziam anotações manuscritas como “Autorizado por Janderson” ou “Jandson”, o que reforça o envolvimento direto do secretário.
Além disso, várias notas não apresentavam a identificação das placas dos veículos, o que comprometeu a rastreabilidade dos gastos e indicou possível uso indevido de recursos públicos para fins eleitorais.
O delegado Adylo Hugo Lira Nascimento, responsável pela investigação, determinou o indiciamento indireto de Jandyson Oliveira pelo crime de corrupção eleitoral, previsto no artigo 299 do Código Eleitoral. O inquérito foi encaminhado ao Juízo das Garantias do Núcleo IV para ciência e controle, e seguirá para o Ministério Público Eleitoral, que analisará o caso. A coligação “União pelo Povo” chegou a solicitar acesso aos autos, mas o pedido foi negado pelo delegado. Segundo a decisão, o inquérito é sigiloso, e o grupo político não tem legitimidade legal para ter livre acesso ao processo.
