
Após décadas de declínio causadas pela praga do bicudo, o algodão volta a ganhar protagonismo no Sertão do Moxotó, em Pernambuco. Em Sertânia, a retomada do chamado “ouro branco” é liderada por Joana D’Arc, agricultora familiar do Sítio Cacimbinha, que representa o Brasil na Feira Mundial da Agricultura Familiar, na Alemanha.
Presidente da Associação Agroecológica local, Joana coordena o trabalho de 36 famílias que apostam no cultivo de algodão orgânico como alternativa sustentável de geração de renda. “O algodão sempre fez parte da nossa história, mas hoje a gente cultiva de forma diferente, respeitando a terra e garantindo renda para as famílias”, afirma.
Segundo a agricultora, estudos realizados em sete estados do Nordeste apontaram o solo de Sertânia como o mais fértil da região. A informação foi registrada no documentário Sertão Fértil, do cineasta Josessandro Andrade. “A fertilidade do nosso solo é um patrimônio que precisa ser cuidado. Quando a gente trabalha com agroecologia, a terra responde”, destaca Joana.
A produção segue princípios agroecológicos. O bicudo, praga histórica da cotonicultura, é controlado por meio de armadilhas naturais, sem o uso de agrotóxicos. Além do algodão, os agricultores investem na policultura, com destaque para o cultivo de gergelim e amendoim. “Hoje não dependemos de uma única cultura. Isso dá mais segurança alimentar e econômica para as famílias”, explica.
O convite para participar da feira internacional surgiu após a visita de uma comitiva do governo alemão à propriedade. Impressionados com o modelo sustentável adotado em Sertânia, os representantes estenderam o convite para que Joana levasse a experiência ao evento. “É uma responsabilidade enorme representar o Brasil e mostrar que o sertão tem soluções, não apenas dificuldades”, afirma.
Além da fibra têxtil do algodão orgânico, Joana apresentará produtos beneficiados, como pasta e óleo de amendoim, já comercializados pela internet com o apoio da organização Diaconia. Para ela, a participação no evento internacional simboliza uma mudança de narrativa sobre o semiárido. “O sertão, quando é respeitado, é fértil, produtivo e cheio de possibilidades”, conclui.

