
Um esquema de desvio de armas legais para o mercado clandestino, que utilizava pessoas como “laranjas” para compra dos armamentos, foi desvendado pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) durante a segunda fase da operação Forja II, deflagrada nesta quarta-feira (20), em Serra Talhada, no Sertão de Pernambuco.
Os detalhes das investigações, iniciada em março deste ano, foram revelados nesta quinta-feira (21) durante coletiva na sede operacional da PCPE, no Recife.
Segundo a polícia, durante toda a operação, que foi dividida em duas fases, foram apreendidas 66 armas de fogo e mais de 4 mil munições. Entre as apreensões, estão: um fuzil, sete rifles, uma submetralhadora Taurus (SMT), sete espingardas, 12 revólveres e 29 pistolas.
De acordo com as investigações, as armas e munições eram adquiridas de forma aparentemente regular junto a fabricantes e estabelecimentos autorizados, mas acabavam sendo desviadas para o mercado ilegal e destinadas, inclusive, a integrantes de organizações criminosas do Sertão de Pernambuco.
Conforme explicou o delegado Jorge Pinto, responsável pela investigação, o grupo utilizava “laranjas” para realizar as compras das armas. Essas pessoas recebiam dinheiro para cederem documentos que seriam utilizados na aquisição dos armamentos, só que o verdadeiro destino das armas era ocultado por meio de notas fiscais emitidas em nome de terceiros.
A organização, classificada pela PCPE como “uma ampla rede criminosa”, também utilizava pessoas com registro de CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores), além de três servidores públicos que possuíam facilidades funcionais para aquisição legal de armamentos.
Os nomes e os cargos dos servidores não foram divulgados, porque o processo tramita sob segredo de Justiça.
Ao todo, foram cumpridos nas duas fases da operação 13 mandados de busca e apreensão, que resultaram em três prisões em flagrante, afastamento cautelar dos agentes públicos investigados e suspensão judicial das atividades econômicas de um clube de tiro da cidade, apontado pelas investigações como instrumento utilizado para o desvio de armas e munições para o mercado clandestino.
Segundo a polícia, apesar do estabelecimento atuar com aparência de legalidade há cerca de cinco anos, o fluxo de saída das mercadorias fez com que a investigação identificasse que o clube estaria sendo utilizado para facilitar o fornecimento de armamentos a pessoas ligadas ao crime organizado.
Os envolvidos poderão responder por crimes como participação em organização criminosa, comércio ilegal de arma de fogo e alguns por lavagem de capitais e falsidade ideológica comércio ilegal de arma de fogo e falsidade ideológica.