Situada às margens do Rio Moxotó, no Sertão pernambucano, Sertânia tem uma das histórias de origem mais marcantes da região, misturando romance, religiosidade e desenvolvimento econômico. O município surgiu nas terras da antiga Fazenda Mata e sua fundação está ligada ao amor entre a jovem Catarina Ferreira dos Santos e o boiadeiro Antão Alves de Souza, natural de Vitória de Santo Antão.
A ocupação do Vale do Moxotó, porém, começou ainda no século XVII, com a distribuição de sesmarias às margens do rio, cujo nome indígena significa “rio de índios bravios”. A região passou a ser ocupada por fazendeiros, criadores de gado e famílias portuguesas, tornando-se um importante corredor de criação e comércio no Sertão.
Foi nesse contexto que surgiu a Fazenda Alagoa de Baixo, considerada o núcleo inicial da atual Sertânia. Devoto de Nossa Senhora da Conceição, Antão mandou construir uma capela nas proximidades da residência do casal, entre 1810 e 1830. Em torno da capela e da feira de gado, a povoação começou a crescer.
Com o passar dos anos, Alagoa de Baixo tornou-se um importante centro comercial do Sertão. O desenvolvimento econômico e populacional levou a localidade à condição de freguesia em 1842 e, posteriormente, à emancipação política em 24 de maio de 1873, quando foi desmembrada do município de Cimbres, atual Pesqueira.
A chegada da estrada de ferro, em 1933, acelerou o crescimento urbano e impulsionou a economia local. Já em 1943, durante um processo nacional de mudança de nomes de cidades, Alagoa de Baixo passou a se chamar Sertânia, nome sugerido pelo escritor e memorialista Ulysses Lins. O termo significa “cidade sertaneja” e acabou sendo adotado oficialmente.
Hoje, com 153 de Emancipação Política, Sertânia preserva suas tradições culturais, religiosas e agropecuárias, sendo reconhecida como uma das cidades mais importantes do Moxotó. O município mantém viva a memória de suas origens, construídas entre histórias de amor, fé e resistência sertaneja.
Com informações de Ígor Cardoso do Centro de Estudos de História Municipal (CEHM) e do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP)
