
Mais uma complicação neurológica decorrente da infecção por arboviroses foi notificada em Pernambuco. Depois da associação entre zika e síndrome de Guillain-Barré, o estado confirmou que a índia xukuru Danielle Marques de Santana, 17 anos, teve miosite desenvolvida pela chikungunya. A relação é inédita no Brasil e, no mundo, só existem quatro casos confirmados, todos da Índia, de 2013 e 2014. Danielle faleceu no dia 6 de janeiro, depois que o quadro agravou para uma infecção generalizada. A Secretaria de Saúde de Pernambuco foi notificada e está investigando o caso.
Os resultados do laudo foram apresentados ontem pela chefe do setor de neurologia do Hospital da Restauração (HR), Lúcia Brito. A princípio, os médicos suspeitaram de SGB, cujos sintomas são parecidos com a miosite, mas a síndrome foi descartada porque, além da paralisia de membros, a adolescente apresentou taxas elevadas de enzimas musculares. “Essa é uma característica exclusiva da miosite, que causa inflamação nos músculos. A chikungunya levou ao quadro de miosite, que gerou a infecção generalizada. É mais um alerta vermelho”, esclareceu a neurologista.
A miosite causa a paralisia dos membros, do aparelho respiratório, fraqueza e dores musculares. A hipótese médica é de que predisposição genética, idade e baixa imunidade possam favorecer o surgimento da complicação. O Ministério da Saúde foi notificado. A SES informou que permanece fortalecendo as ações de controle do Aedes aegypti e irá reforçar as orientações de manejo clínico dos pacientes, para evitar que os quadros se agravem.
Os casos de complicações neurológicas associadas a arboviroses começarão a ser notificados pela SES. Uma nota técnica, em discussão, deverá ser divulgada com orientações aos profissionais de saúde. Uma unidade sentinela também será criada para a vigilância dos pacientes. O início das notificações depende de um alinhamento com o Ministério da Saúde.