Olhar para o que pensa um país em termos de mobilidade, tanto através do serviço público como das permissões privadas (automóveis), diz muito sobre o lugar.
Pois neste momento a grande preocupação na Suécia é com a diminuição radical de acidentes de trânsito no transporte individual, já que o transporte público está resolvido nas grandes cidades.
A sueca Volvo está testando o carro sem motorista em um kit muito acessível (por volta de 2 mil euros). Será provavelmente o primeiro automóvel com kit instalado de direção automática sem custar o dobro do valor. A grande preocupação dos testes é para reduzir a zero o índice de acidentes.
E enquanto a Suécia pensa no que há de mais moderno, nos últimos anos buscamos no Brasil a solução tailandesa de transporte: as cinquentinhas, obviamente sem qualquer preocupação com a regularização ou segurança das pessoas. Isso sem falar na quantidade enlouquecida de motos pelas ruas, fazendo com que os acidentes disputem com o tráfico de drogas o número de mortes violentas.
Mas nada é tão ruim que não possa piorar.
Não bastava a loucura tailandesa de motos, por aqui buscaram a solução hondurenha de transporte: os tuk tuks. Para quem não sabe, o Tuk Tuk é uma motocicleta triciclo, um misto de moto e carroça.
E Pernambuco ainda vai ganhar a primeira concessionária. O objetivo será espalhar tuk tuks pelo interior do país.
Claro que um tuk tuk para um passeio ou mesmo para um food truck é algo razoável e até charmoso. Mas incentivar como uso de transporte é loucura completa.
Óbvio que estamos muito distantes em tudo da Suécia, especialmente qualidade de vida. Mas deveríamos estar observando o que tem de inovação para salvar vidas, e não buscando regredindo para soluções toscas.
Mas em um lugar onde ainda se negocia concessão pública de táxis e onde se paga mais imposto na compra de uma bicicleta do que em um carro, tuk tuks parece ser uma realidade mais próxima.
