Do Blog do Josias
Quando os petrolarápios começaram a suar o dedo na Lava Jato, Dilma apressou-se em declarar: “Não respeito delatores”. Pegou mal, já que a madame havia sancionado a lei que deu à Lava Jato a ferramenta da colaboração premiada. Quando as vozes dos delatores começaram a ecoar segredos das arcas de 2014, Dilma se insurgiu contra os “vazamentos”. Nesta quinta-feira, acossada pela revelação dos segredos da Andrade Gutierrez, ela voltou a estrilar.
Em novo ‘golpemício’ realizado no salão de solenidades do Palácio do Planalto, a presidente queixou-se do “vazamento premeditado e direcionado”. Enxergou no noticiário a intenção de criar um “ambiente propício ao golpe”. E avisou à plateia-companheira: nos próximos dias, podem surgir novos “vazamentos oportunistas e seletivos”.
Espantosa época a nossa. Executivos de uma das maiores construtoras do país informam em depoimentos oficiais que derramaram dinheiro sujo nas arcas da campanha à reeleição de Dilma. Submetida à atmosfera malcheirosa, a presidente acha que pode adotar um discurso hidráulico e seguir em frente. Como se nada tivesse sido descoberto sobre o esgoto aberto na contabilidade do seu comitê.
Dilma se queixa da seletividade dos vazamentos. Mas seletiva mesmo são as suas reações. A presidente só reclama quando os jatos de lama lhe sujam os sapatos. Adora quando a goteira cai sobre a cabeça de personagens como Aécio Neves e Eduardo Cunha. Dilma talvez não tenha se dado conta. Mas no caso da Andrade Gutierrez, o lodo respingou no PT e também no PMDB do vice-presidente Michel Temer. Golpe? Ora, francamente! Melhor trocar o lero-lero por meio quilo de explicações.
