Polícias Federal e Civil atuarão juntas para deter investidas contra bancos

Da Folha de Pernambuco

Uma força-tarefa será formada pelas polícias Civil e Federal, ainda neste mês, para deter investidas criminosas contra bancos em Pernambuco, que já tem 80 casos acumulados em 2016, 31 deles com uso de explosivos (38% das ocorrências). O objetivo é unir equipes de inteligência das duas corporações e compartilhar informações, como perfis das quadrilhas e áreas de atuação. A medida foi anunciada no mesmo dia em que mais um caso foi registrado, o nono só neste mês. Desta vez, oito homens fortemente armados explodiram dois terminais da Caixa Econômica Federal em Gaibu, no Cabo de Santo Agostinho, e levaram uma quantia em dinheiro não informada. Ninguém foi preso. A unidade já havia sido alvo em abril deste ano.

A força-tarefa reconhece que o desafio de barrar as quadrilhas mora na fragilidade da estrutura policial, sobretudo no Interior, onde houve sete das nove ocorrências contabilizadas neste mês. Desde segunda-feira, foi um ataque por dia, com casos em Buenos Aires (Mata Norte), Oro­­­bó e Santa Cruz do Capibaribe (Agreste). Na semana passada, agências em João Alfredo, Jurema, Feira Nova (Agreste) e Sirinha­ém (Mata Sul), já tinham sido alvejadas.

As características dos ataques são similares. Homens fortemente armados se separam e invadem a agência enquanto outra parte atira contra destacamentos policiais. Na fuga, grampos são deixados nas rodovias para atrapalhar qualquer tentativa de reação do poder público. “Os elementos agem em poucos minutos, amedrontam cidadãos nas ruas e partem do princípio de que sempre sairão ilesos. Um reforço no quadro e no número de viaturas é essencial”, destacou o titular da Delegacia de Roubos e Furtos, Paulo Berenguer.

O delegado explica que o conhecimento das rotas de fuga é considerado fundamental, o que será alvo do compartilhamento de informações. No Sertão, sobretudo, onde um grupo conhecido como “Novo Cangaço” atua contra agências bancárias, os esforços vão além das fronteiras de Pernambuco, já que há ramificações em outros estados. “Pela primeira vez, teremos a chance de compartilhar banco de dados dos criminosos, podendo rastrear bandidos de fora de Pernambuco, alguns com amplo conhecimento com bombas e maçaricos. As quadrilhas estão cada vez mais equipadas e nós precisamos estar acima deles”, afirmou Berenguer, defendendo maior rigor e lembrando que há projetos de lei em tramitação propondo, por exemplo, a qualificação desse tipo de crime em hediondo e de terrorismo, o que imporia regime fechado aos condenados.

Conforme o delegado de repressão a Crimes contra o Patrimônio e Tráfico de Armas da Polícia Federal, Eduardo Passos, a integração é a saída. “Teremos uma otimização significativa, com uma conversa direta entre os profissionais, o compartilhamento de provas e apreensões, além da integração do próprio efetivo e viaturas. Prisões já têm ocorrido em sigilo. A ideia é desarticular de uma ponta a outra”, explica, acrescentando que a Polícia Militar também deve se unir a esse processo. “A natureza ostensiva e uma maior capilaridade entre as cidades será de grande valia.”

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