Prefeitura de Sertânia se nega a dividir juros do precatório do Fundef com professores

Uma decisão anunciada pela Prefeitura de Sertânia, no Sertão de Pernambuco, gerou forte insatisfação entre professores da rede municipal. Em reunião realizada na manhã desta segunda-feira (22), na sede da Prefeitura, o governo municipal comunicou oficialmente que não irá ratear os juros remuneratórios do precatório do Fundef referentes aos 60% destinados ao magistério.

O encontro contou com a presença da equipe jurídica do município, membros da Comissão Oficial dos Precatórios, representantes do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Sertânia (SINTEMUSE) e professoras da rede municipal. A prefeita Pollyanna Abreu não participou da reunião, alegando compromisso de agenda no Recife.

Durante a reunião, os advogados da Prefeitura informaram que o município entende que os juros remuneratórios não estão vinculados à educação, utilizando como base a ADPF 528, julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2022. Segundo essa interpretação, os juros de mora incidentes sobre os precatórios do Fundef poderiam ser desvinculados do valor principal, o que permitiria à gestão municipal utilizar esses recursos para outras finalidades.

A decisão, no entanto, foi recebida com frustração e indignação pela categoria. Professores presentes no encontro relataram profunda decepção com a postura da gestão municipal, que, segundo eles, ignora o caráter histórico e reparatório do precatório do Fundef, aguardado há anos pelo magistério.

Diante do posicionamento da Prefeitura, o SINTEMUSE anunciou que irá recorrer à Justiça, ingressando com ação para contestar a decisão e garantir que os juros também sejam rateados entre os professores, conforme defendido pela entidade. “Agora é com a Justiça”, afirmou o sindicato em nota.

Apesar da polêmica, a Prefeitura informou que o pagamento do valor principal do precatório seguirá normalmente. O edital final com a lista dos beneficiários já foi publicado, e o município iniciará a fase de cálculos para o pagamento do montante principal, estimado em cerca de R$ 1,8 milhão, valor que pode aumentar em razão da incidência de juros até a data do pagamento.

Em nota, o SINTEMUSE afirma que a frustração entre os professores foi grande e que a categoria afirma estar profundamente decepcionada com a prefeita Pollyanna Abreu, já que havia a expectativa de que o precatório do Fundef fosse pago com a inclusão dos juros remuneratórios, o que acabou não se confirmando. A decisão da prefeitura demonstra falta de sensibilidade e de valorização do magistério.

O sindicato afirmou que seguirá acompanhando de perto todo o processo de pagamento e espera que a prefeita Pollyanna Abreu reveja sua posição.

“Valorizar a educação também é valorizar seus professores. Os juros do precatório são, sim, dos professores”, reforçou o sindicato, que promete continuar mobilizado em defesa da categoria.