A Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI) informou que a empresa Auto Viação Progresso assumiu neste sábado (24) as quatro linhas que eram administradas pela Logo Caruaruense, emprego do pai da governadora Raquel Lyra (PSD), o ex-governador João Lyra (PSD).
A empresa encerrou as atividades após denúncias de irregularidades que apontavam que os veículos circulavam com vistorias e licenças vencidas.
Segundo o comunicado da EPTI, o Termo de Autorização e Compromisso será assinado pela empresa e a Progresso assume as seguintes linhas:
- Recife/Caruaru – Executivo e convencional;
- Caruaru/Santa Cruz do Capibaribe;
- Caruaru/Bezerros;
- Caruaru/São Caetano.
De acordo com um relatório de débitos feito pela EPTI, vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento e Habitação (Seduh), a Logo Caruaruense opera viagens intermunicipais e possuía 50 veículos. Nenhum deles passou pelas averiguações necessárias nos últimos anos, e alguns estão com as licenças vencidas desde 2021.
Irregularidades da Logo Caruaruense
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/W/T/QVmeA6RK2XClNpaBOnqA/sede.png)
Sede da empresa Logo Caruaruense — Foto: Reprodução/Instagram
As irregularidades envolvendo a Logo Caruaruense constam de um relatório interno da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI). Conforme o documento, a rodoviária funcionava com vistorias vencidas e estava sem o Certificado de Registro Cadastral (CRC), que não era pago pelo menos desde 2020.
Conforme o relatório, desde 2022, nenhum dos 50 ônibus que compõem a frota da Logo Caruaruense passou pelas vistorias necessárias e alguns coletivos estavam com as licenças vencidas desde 2021. Diante da repercussão do caso, a governadora Raquel Lyra anunciou o encerramento das atividades da empresa.
Sob sigilo de fonte, o g1 conversou com funcionários da EPTI, que contaram que 2022 foi o último ano em que foram feitas vistorias nos ônibus da Caruaruense. Eles disseram, ainda, que os coletivos da empresa não são parados nas fiscalizações realizadas nas rodovias e terminais.
“Existe uma ordem não dita que não se pode fiscalizar a Logo Caruaruense. Não é nada por escrito, mas sabemos que vem lá de cima. Essas fiscalizações são feitas para proteger a população, e veem itens como pneus, cinto de segurança e ano do veículo”, afirmou uma das fontes.
Outro funcionário contou que as vistorias costumam ser feitas na sede da EPTI ou nas sedes das empresas, em outras cidades, como o caso da Caruaruense.
“Na vistoria, os ônibus recebem um cartão amarelo que identifica todos eles, mas esse cartão é válido por um determinado tempo. Se ele for parado numa fiscalização e não tiver o cartão, paga uma multa de R$ 2,9 mil. Todos os carros da Caruaruense estão com esse cartão vencido, mas eles não são pegos, porque ninguém pode fiscalizar”, disse.
Do G1 Caruaru
