Projeto resgata cultura sertaneja e fortalece identidade em Sertânia

Biblioteconomia Andréa Lúcia Santos de Brito, idealizadora do projeto “Toadas e aboios: na pegada do pertencer” – Reprodução/Instagram

Resgatar tradições por meio do fortalecimento da identidade local e incentivar ações de enfrentamento à crise climática são iniciativas que têm ganhado destaque nos municípios de Sertânia e Cabrobó, no Sertão Pernambuco.

Os projetos fazem parte de um mapeamento realizado pelo Itaú Social, em parceria com o Instituto Catalisador. 

Em Sertânia, na Vila de Algodões, o projeto “Toadas e aboios: na pegada do pertencer”, realizado na Biblioteca Municipal Eliane Rodrigues da Silva, busca combater a falta de reconhecimento cultural, incentivando a leitura, a escrita e a valorização das tradições locais — como a figura do vaqueiro e a tradicional Missa do Vaqueiro.

Idealizado pela técnica em biblioteconomia Andréa Lúcia Santos de Brito, o projeto já envolveu 210 estudantes da Educação Infantil ao Ensino Médio da Escola Municipal Laura Alves de Feitosa Chaves. “Queríamos que os alunos reconhecessem a riqueza do folclore de Algodões e se sentissem parte dele”, explica Andréa.

A iniciativa surgiu a partir de um diálogo entre Andréa e professores de Matemática e Língua Portuguesa da comunidade. Inicialmente focado na criação de um circuito de toadas, o projeto evoluiu para uma colaboração ampla, envolvendo educadores, estudantes e moradores da região.

As primeiras atividades incluíram a transcrição dos aboios do senhor Agenário, entrevistas com vaqueiros, exposições fotográficas e oficinas de artesanato em couro, literatura e cartonagem. Essas ações culminaram na produção coletiva do livro cartonero “Aboios de Seu Agenário aboiador”, com capas feitas de caixas recicladas.

O projeto também resgatou lendas locais, como o Boi Salgadinho e o Cão de Piutá, e promoveu rodas de diálogo, a exibição do documentário “O vaqueiro e suas raízes” e apresentações de aboiadores.

Crianças da Educação Infantil participaram do plantio de árvores da caatinga, enquanto estudantes do Ensino Médio criaram murais com fotografias tiradas por eles mesmos, vestidos como vaqueiros. Oficinas com artesãos, como o senhor Pocidônio, o poeta José Sandro Andrade e a escritora Alba Chalegre, reforçaram os saberes tradicionais, conectando teoria e prática.

De acordo com a técnica em biblioteconomia, Andréa Lúcia, os resultados foram bastante positivos: houve maior engajamento com a leitura e a escrita, fortalecimento da biblioteca como espaço de identidade e uma integração mais efetiva entre escola, comunidade e artistas locais. A iniciativa também contribuiu para enriquecer o acervo escolar, com a inclusão de autores populares, como o senhor Agenário e Luiza de Marilac Chaves.

Utilizando materiais recicláveis, o projeto tem potencial de replicação em outras bibliotecas e promove acessibilidade e sustentabilidade. Para Andréa, “a iniciativa resgatou a história das famílias e dos antepassados dos estudantes, fortalecendo a identidade do homem e da mulher do campo”.

CABROBÓ – No município de Cabrobó, um projeto desenvolvido na rede estadual de ensino vem unindo arte, ciência e sustentabilidade para sensibilizar estudantes sobre os impactos ambientais do desperdício de papel e a emergência climática.

Intitulada “Arte e Meio Ambiente: reciclando papel e a mente”, a iniciativa é liderada pelo professor Marcelo Augusto Alves da Silva e já envolveu 60 alunos do 3º ano do Ensino Médio em atividades que combinam a produção de materiais reciclados, como cadernos e cartolinas, com o desenvolvimento de competências criativas e reflexões sobre o meio ambiente.

Informações do JC Online