
Pernambuco voltou a registrar alta no número de mortes violentas intencionais. De acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS), 252 pessoas foram assassinadas em setembro de 2026. Houve aumento de 5% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando 240 vidas foram perdidas. É o primeiro mês do ano em alta.
Duas regiões do interior foram responsáveis por puxar o aumento dos registros no Estado. As estatísticas da SDS indicam que 50 pessoas foram mortas em setembro na Zona da Mata. O número é o dobro do contabilizado no mesmo mês de 2025.
No Sertão, 44 assassinatos foram registrados em setembro. No mesmo período do ano passado foram 35.
A capital pernambucana também registrou 44 mortes no último mês. O número foi o mesmo registrado em setembro de 2025. Já a Região Metropolitana teve queda no número de mortes. Foram 62 vidas perdidas contra 83 no ano passado.
A região do Agreste somou 52 mortes em setembro, uma a menos que no mesmo mês de 2025.
As mortes violentas intencionais englobam os homicídios, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e óbitos decorrentes de intervenções policiais.
No acumulado do ano, entre janeiro e setembro, Pernambuco registrou 2.119 assassinatos. Houve queda de 10,5% em comparação com 2025, quando 2.367 vidas foram perdidas para a violência.
Os feminicídios também caíram nos nove primeiros meses deste ano. Foram 54 registros contra 66 em 2025.
Na avaliação do professor e pesquisador da área de segurança pública Armando Nascimento, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o número acumulado de mortes no Estado revela um cenário de persistência e volatilidade da violência letal.
“A análise da série histórica no ano mostra curvas de oscilação marcadas por picos expressivos: janeiro começou com 260 casos, seguido por flutuações que culminaram em 250 em março, uma queda para 216 em abril, e uma nova alta em setembro, que registrou 252 mortes”, pontuou.
“O mapeamento geográfico expõe uma forte concentração territorial. Apenas dez municípios respondem por 51,5% das mortes. O diagnóstico evidencia o esgotamento de uma resposta pautada exclusivamente nas forças estaduais. Há necessidade de o governo do Estado incluir os municípios de forma efetiva no programa Juntos pela Segurança”, complementou.