Os deputados eleitos Liana Cirne (PT) e Jones Manoel (PSOL) denunciaram um episódio de suposta censura e intimidação na Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Aura Sampaio Parente Muniz, em Salgueiro, no Sertão de Pernambuco. O caso ocorreu na terça-feira (20), quando policiais militares entraram na unidade acompanhados de um homem que, segundo os parlamentares, se identificou como representante do Partido Liberal (PL). A denúncia é de que estudantes e professores foram constrangidos por usar roupas vermelhas e adesivos do PT.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Liana Cirne manifestou “completo repúdio” à ocorrência. Segundo a deputada, policiais teriam exigido a retirada de adesivos e intimidado professores. Ela informou que acionará a Corregedoria, a Secretaria de Educação do Estado (SEE) e a Justiça Eleitoral.
Jones Manoel classificou a conduta relatada como coerção política e cobrou providências da governadora Raquel Lyra (PSD). “Não cabe à representante de partido nenhum agir dessa forma, e não é o papel da Polícia Militar atuar em conjunto com um sujeito do PL para censurar estudantes e professores”, declarou.
Sintepe cobra apuração
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) também repudiou o episódio. Segundo a entidade, a comunidade escolar teria sido acusada, sem fundamentação, de praticar “boca de urna” e constrangida pelo uso de camisetas vermelhas e bottons com pautas sociais, como o fim da escala 6×1 e a manutenção das cotas.
O sindicato anunciou que apresentará representações à Corregedoria da Polícia Militar, ao Ministério Público e ao Governo do Estado. Em nota, defendeu a liberdade de expressão e afirmou que a escola pública deve ser um espaço de pluralidade e respeito.
O que dizem as autoridades
Em nota, a Polícia Militar de Pernambuco informou que a Patrulha Escolar foi à unidade para averiguar denúncias sobre distribuição de material político-partidário e prevenir possíveis conflitos. Segundo a corporação, os policiais conversaram com a direção e orientaram estudantes e professores. A PM afirmou que a atuação teve caráter preventivo, voltado à segurança da comunidade escolar.
A Secretaria de Defesa Social informou que a Corregedoria-Geral instaurou inquérito para verificar os fatos e possíveis repercussões administrativas. O procedimento segue em tramitação.
Já a Secretaria de Educação declarou que esteve na escola para averiguar a denúncia de suposta campanha política. O caso está sendo acompanhado pela gestão da unidade e pela Gerência Regional de Educação (GRE) Sertão Central. A pasta reafirmou o compromisso com uma educação pública democrática e plural e declarou que nenhum tipo de violência será tolerado no ambiente escolar.
Informações: Diário de Pernambuco
