
Por Josessandro Andrade
Pernambuco sempre foi sinônimo de vanguarda, coragem e posicionamento firme. A alma pernambucana foi forjada em lutas libertárias históricas e marcada por uma intensa bipolarização política, abrigando figuras de proa que lideraram a resistência nacional contra a ditadura militar. Nesse solo, a política nunca foi um exercício de conveniência, mas de lado, de debate e de paixão.
É por isso que o cenário atual causa tanto estranhamento: assistimos a uma governadora que opta pelo silêncio sistemático sobre os grandes temas nacionais e estaduais, esquivando-se de debates cruciais como a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1.
Essa postura de omissão choca-se frontalmente com a retórica da própria gestora, que adota um discurso ufanista e se autodenomina “pernambuquista”. No entanto, o pragmatismo das urnas e dos bastidores revela uma contradição evidente, visto que seu governo é apoiado de forma ostensiva por todo o palanque bolsonarista do estado. Tentar equilibrar-se em um muro de neutralidade enquanto se colhe os frutos de alianças à extrema-direita é uma tentativa de esconder o próprio palanque — uma estratégia que o povo pernambucano já viu antes.
A memória política do estado nos remete a 1990, a primeira e única vez em que Pernambuco elegeu um governante sob esse mesmo manto de suposta neutralidade. Naquela ocasião, Joaquim Francisco ascendeu ao poder escondendo suas reais bases de sustentação e atraindo até mesmo dissidentes de esquerda. O resultado prático dessa experiência é amplamente lembrado como uma das piores gestões da história recente do estado, marcada pela paralisia e pelo distanciamento das reais necessidades da população.
A história serve como alerta, e Pernambuco sinaliza que não pretende repetir esse erro. O futuro do estado exige alinhamento com o progresso, diálogo e ação integrada. Esse novo caminho se desenha na busca por uma parceria sólida entre o governo federal de Lula, a liderança de João Campos e as forças da Frente Popular no estado.
João Campos demonstrou capacidade administrativa e fôlego político à frente da Prefeitura do Recife. Sua gestão combinou entregas de qualidade, propostas inovadoras e um preparo técnico que dialoga diretamente com a urgência que o momento histórico impõe. Mais do que isso, o prefeito demonstrou ter sintonia com as diretrizes do presidente Lula e, fundamentalmente, sinergia com o povo.
Pernambuco não cabe no silêncio e não se reconhece na omissão. O estado que sempre falou alto para o Brasil precisa recuperar sua voz, reconectando sua liderança executiva com a tradição de debate, coragem e transformação que o mundo político e a sociedade civil exigem.
Josessandro Andrade é Poeta , Compositor, Autor teatral e Cordelista