Em Sertânia, disputa política ultrapassa limites e interfere em celebração religiosa

Independentemente de posição política, ideologia ou religião, o período eleitoral não pode servir de justificativa para atitudes que desrespeitem espaços, instituições ou momentos que deveriam ser preservados.

Um episódio ocorrido na noite deste sábado (22), em Sertânia, chamou atenção justamente por esse motivo. Durante uma celebração religiosa realizada na Rua dos Currais, o padre Gilvan, visivelmente incomodado, deixou de realizar a homilia por causa do barulho provocado por um paredão que reproduzia músicas relacionadas à campanha política. A posição do equipamento e o volume do som dificultavam a concentração do celebrante e a realização da pregação. A situação também causou constrangimento entre as pessoas que participavam da missa.

Mais do que uma questão partidária, o episódio levanta uma reflexão sobre os limites das manifestações políticas e a necessidade de respeito aos espaços destinados às celebrações religiosas. Em uma sociedade marcada por diferentes opiniões e posições, conviver com o contraditório também significa reconhecer que determinados momentos e ambientes precisam ser respeitados.

O que preocupa é a possibilidade de situações como essa deixarem de causar estranhamento e passarem a ser encaradas como parte da rotina. Quando o desrespeito às instituições, às celebrações e ao espaço do outro se torna banal, a sociedade corre o risco de naturalizar comportamentos que não deveriam ser considerados normais.

O período eleitoral é legítimo e necessário para o fortalecimento da democracia. Mas nenhuma disputa política deveria estar acima do respeito ao próximo, às instituições e aos momentos de fé.