Paulo Câmara rebate Raquel Lyra e diz ter deixado Pernambuco com superávit de R$ 4,25 bilhões

O presidente do Banco do Nordeste e ex-governador de Pernambuco Paulo Câmara (PSB) rebateu as críticas feitas pela governadora Raquel Lyra (PSD) à situação financeira encontrada no estado no início de sua gestão. Em entrevista à Folha de Pernambuco, Câmara afirmou que encerrou o mandato com salários e fornecedores em dia, baixa taxa de endividamento e disponibilidade financeira superior a R$ 4 bilhões.

De acordo com Paulo Câmara, os dados oficiais afastam a versão de que Pernambuco estava “quebrado” ao fim dos 16 anos de administrações do PSB. A declaração ocorre após a atual governadora dizer, durante a convenção do PSD, que recebeu o estado “quebrado” em 2022.

“Assim como no Banco do Nordeste, o nosso trabalho no governo de Pernambuco foi de muita responsabilidade. Como é que se fala que o estado estava quebrado com o salário dos servidores em dia, fornecedores pagos, menor taxa de endividamento e empréstimo pré-aprovado com o aval da União de R$ 3,5 bilhões?”, questionou.

Segundo o ex-governador, quem recebeu um Estado efetivamente quebrado foi ele, após a gestão de João Lyra Neto. De acordo com Paulo, Pernambuco passou praticamente um ano funcionando como um “departamento de contabilidade”, concentrando esforços apenas no pagamento de fornecedores, com projetos e investimentos paralisados e sem qualquer capacidade de planejamento. “Um ano parado é muita coisa. Um ano só pagando contas é muita coisa”, ressaltou.

Câmara afirmou ainda que Pernambuco tinha classificação B na Capacidade de Pagamento dos Estados e Municípios (Capag), condição que permitia a contratação de operações de crédito.

“O TCE e a Alepe aprovaram as contas dos nossos oito anos de governo e atestaram que finalizamos o mandato com disponibilidade financeira, ou seja, superávit de mais de R$ 4,25 bilhões. Um feito nunca antes registrado em Pernambuco. Isso está documentado e acessível a qualquer um. Não se trata de uma disputa de narrativa”, declarou.

O ex-governador também criticou o uso, pela governadora, de um estudo do Banco Mundial que colocou Pernambuco na última posição do país em ambiente de negócios.

Segundo ele, o levantamento foi divulgado em junho de 2021 e posteriormente descartado pela própria instituição responsável por sua elaboração.

“O banco reconheceu que os dados e a metodologia utilizados eram falhos. Tanto que esse relatório foi deixado de lado e nunca mais repetido. Citar um documento desqualificado pela própria entidade que o fez é, no mínimo, má-fé”, afirmou.